Olhando para a realidade mediática portuguesa, constatamos o reduzido número de experiências que podemos considerar que no contexto nacional denunciam atenção à questão da Educação para os Media junto do público sénior.
A lacuna não é exclusiva no que ao público mais velho diz respeito, o que leva a considerar que sob o ponto de vista estrutural, uma medida válida passaria pela formulação e implementação de um Plano de Literacia Mediática, que permitisse a implementação de medidas concertadas e concretas de Educação para os media, não só adaptadas às diferentes faixas etárias, mas também às especificidades decorrentes de práticas e usos diversificados.
Atender às questões de Educação para os Media dentro de portas, é também olhar de modo específico para as diferentes dimensões passíveis de serem estudadas neste contexto, a saber; as dimensões do acesso, o uso, a compreensão e a participação. A esse respeito observam-se duas características no contexto mediático português.
Em primeiro lugar a tendência para associar Educação para os Media de idosos ao uso consciente e capaz dos chamados novos media ou novas tecnologias da informação e da comunicação, nomeadamente a internet e os telemóveis. Para além de redutora, esta abordagem desconsidera a relação que o público com mais de 65 anos estabelece com outros meios como a televisão, a rádio ou mesmo a imprensa escrita.
Um segundo traço característico da realidade mediática que coloca lado a lado os idosos e os media, é o especial enfoque dado às dimensões do acesso e uso, desconsiderando as dimensões da compreensão e da participação consideradas de especial relevância no âmbito da formulação de medias mais democráticos e abertos a uma participação mais activa dos cidadãos.
Assim, pode considerar-se que apesar de incipientes no contexto nacional, é possível de identificar algumas acções concretas de literacia mediática dos idosos.
Neste contexto, destaca-se em primeiro lugar as iniciativas que têm lugar no âmbito das chamadas Universidades Séniores. Apesar de configurarem um universo que ainda se encontra vedado, pelos mais diversos motivos, à totalidade dos idosos, a verdade é que a existência de certos organismos como a RUTIS, ou mesmo o projecto IPL 60+, são de extrema relevância na aproximação do público sénior à realidade mediática portuguesa .
Neste contexto, destaca-se em primeiro lugar as iniciativas que têm lugar no âmbito das chamadas Universidades Séniores. Apesar de configurarem um universo que ainda se encontra vedado, pelos mais diversos motivos, à totalidade dos idosos, a verdade é que a existência de certos organismos como a RUTIS, ou mesmo o projecto IPL 60+, são de extrema relevância na aproximação do público sénior à realidade mediática portuguesa .
No caso da RUTIS (Rede de Universidades da Terceira Idade), Instituição de utilidade pública e entidade representativa das Universidades Seniores Portuguesas, o trabalho desenvolvido na promoção de um envelhecimento mais activo, integra importantes iniciativas de Educação para os media através de acções como o computador Sénior Virtual, ou mesmo o espaço da Universidade Sénior Virtual no qual os séniores inscritos podem encontrar chats, galerias, jogos, salas de aula virtuais e plataformas de e-learning.
No IPL 60+ , destaca-se o aspecto inovador deste projecto que abrindo as portas do Instituto Politécnico de Leiria à frequência de pessoas com mais 60 anos, configura uma oportunidade para vários séniores entrarem em contacto com novos saberes, no domínio mediático e da cidadania. Refira-se a título exemplificativo a possibilidade dos alunos com mais de 60 anos se inscreverem em disciplinas da área do saber da Comunicação Social e Educação Multimédia, ao mesmo tempo que lhes permite integrarem projectos originais como o projecto Teclar.
O projecto Teclar apostando no saber intergeracional que é promovido pela interacção entre idosos e crianças do 1º ciclo, estimula um saber mútuo em ambas as partes e torna mais divertido aprender e conhecer as potencialidades do computador e da internet.
Mas não é apenas no âmbito das Universidades Séniores que se encontram algumas iniciativas pontuais que remetem para a Educação para os Media junto do público sénior. No caso em concreto do telemóvel, destaca-se a criação e comercialização no mercado nacional de um telemóvel especialmente concebido para idosos. De facto, são cada vez mais as operadoras que se lançam no mercado com telemóveis adaptados ao público sénior. Em comum têm o facto de oferecer um conjunto de funcionalidades como sejam o teclado de maiores dimensões com uma tecla de SOS para questões de emergência e o som amplificado e de alta definição para pessoas com dificuldades auditivas.
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Considerando as potencialidades do telemóvel, são inúmeras as iniciativas que têm vindo a ser promovidas em Portugal no sentido de favorecer o acesso do público sénior a esta tecnologia. Mais uma vez nota-se a preponderância dada pelas autoridades à dimensão do acesso, não favorecendo muitas vezes as demais dimensões subjacentes, isto é, a dotação de capacidades para que este público use de modo eficaz as potencialidades deste media.
Outras iniciativas que se pode enquadrar na dimensão da literacia mediática dos idosos, dizem respeito à implementação de acções materializadas em serviços de teleassistência para idosos. Este serviço que tem vindo a ser implementado em vários municípios, como no município de Abrantes, permite colocar as novas tecnologias ao serviço do combate à solidão e ao isolamento.
Também na senda do combate à solidão e ao isolamento, atente-se ao exemplo da PSP (Polícia de Segurança Pública) que por meio do uso do medium telefone, criou uma linha de acesso directo para todos os agentes reformados, no sentido de permitir uma maior interacção dentro da instituição com aqueles que nela já trabalharam. A linha grátis com o nome sugestivo de LARES, foi inaugurada no início do mês de Maio e tem servido o propósito de apoio, resposta e encaminhamento dos séniores aposentados da PSP.
Finalizando, fale-se também a título exemplificativo do portal de comunicação para os idosos TIO. Este portal que existe desde 1999, é um bom exemplo de uma iniciativa online que visa aproveitar as potencialidades de difusão de informação a grande escala da internet, configurando um importante repositório de informações potencialmente interessantes para os idosos portugueses.
As iniciativas atrás apresentadas são apenas exemplos pontuais de iniciativas que abarcam a questão da Educação para os Media junto do público sénior português. Da sua análise conclui-se que a despeito de serem cada vez em maior número e com maior impacto mediático, a verdade é que de uma maneira geral, as iniciativas pecam por colocar os meios ao alcance dos mais velhos, mas por descurar a aplicação de medidas que permitam o seu uso eficaz e concertado.

